INTRODUÇÃO
Os avanços tecnológicos sempre exerceram profundos efeitos nos afazeres humanos.
Esse fenômeno vem ocorrendo desde tempos imemoriais, mas tem se tornado mais importante em termos de seus efeitos na sociedade
após o início da revolução industrial. Atualmente, temos observado mudanças sem precedentes na natureza do trabalho e das
organizações. O ritmo com que novas profissões estão surgindo e as profissões tradicionais têm se transformado é muito veloz.
Dentre os diversos campos profissionais contemporâneos que mais têm sido afetados pelos avanços nas tecnologias da computação
e telecomunicações, destacam-se aqueles cuja ênfase recai sobre a criação, processamento e disseminação da informação.
Não há definição universalmente aceita a respeito do que constitui um profissional
de informação. Os primeiros estudos sistemáticos a respeito da chamada economia da informação adotaram critérios amplos e
incluíam nessa categoria profissionais como pesquisadores, engenheiros, projetistas, desenhistas industriais, gerentes, contadores
e todos aqueles "eventualmente remunerados para criar conhecimento, comunicar idéias, processar informação (Porat, 1977, p.3).
Mais recentemente, Strassman (1985) também adota uma conceituação muito abrangente, ao definir o profissional de informação
como simplesmente aquele que trabalha com informação em vez de com objetos. Sob essa perspectiva, grandes categorias profissionais,
como serviços educacionais, serviços financeiros, corretagem de imóveis, administração, serviços técnicos e científicos, deveriam
ser vistas como profissionais de informação. Este é um enfoque impróprio, uma vez que, embora todas os grupos citados trabalhem
de alguma forma com informação, esta não constitui o objeto central de sua atuação profissional.
Felizmente, observam-se iniciativas no sentido de se definir com maior precisão
o que são profissionais e organizações de informação. Em um plano mais amplo, por exemplo, alguns órgãos nacionais de estatística
estão começando a adotar classificações capazes de fornecer uma visão mais apropriada da área. O North American Industry
Classification System, adotado em 1995 pelo Canadá, México e Estados Unidos, inclui no setor de informaçãoI os subsetores de publicação (jornais, periódicos, livros, bases de dados, software),
de cinema e som, difusão e telecomunicações (rádio, tevê, telecomunicações) e serviços de informação (serviços informativos,
bibliotecas e arquivos) e serviços de processamento de dados e transações (Statistics Canada, 1997).
No momento em que se procura mensurar a crescente importância dos setores
produtivos que lidam com a informação, em que se observa a contínua introdução das novas tecnologias de informação e se constata
o desenvolvimento do que Miksa (1996) chama de" campos de informação irmãos" (processamento de dados, sistemas de informação,
ciência da computação, ciência da informação, inteligência artificial, multimídia etc.), é irônico observar que o papel das
bibliotecas e dos bibliotecários esteja recentemente sendo colocado em xeque.
Com o objetivo de prestar contribuição ao debate relativo à matéria, este
trabalho irá inicialmente analisar as perspectivas dos profissionais com treinamento nas áreas de Biblioteconomia/ Ciência
da Informação (BCI) no mercado de trabalho. Em seguida, serão discutidas as estratégias recentemente adotadas pelas escolas
e departamentos na área para fazer face às ameaças e aproveitar as oportunidades emergentes. Será ainda apresentado um modelo
que sintetiza as principais direções de mudança nos currículos das escolas de BCI. Finalmente, serão discutidas algumas oportunidades
para a aplicação de conteúdos ou temas da área de BCI em contextos informacionais amplos.
Nomes:
Vinícius Eduardo Sodré Ferreira - 05/94709
Talita Leal Oliveira - 05/97627